8.2.11

Na Arte de ornamentação e decoração Albertino Pereira da Silva (1905-1984), ornamentista de renome nacional


Faz já parte da toponímia da Vila de Cucujães o nome do ornamentista Albertino Pereira da Silva, cuja rua fica junto do apeadeiro de Faria de Cima

É UM MESTRE DE RECONHECIDO MÉRITO

A arte decorativa e ornamental não é para toda a gente. É preciso ter vocação. E a vocação do hábil decorador e ornamentista Albertino Pereira da Silva veio-lhe do berço, a qual tem sido desenvolvida através de aturado estudo, decidida iniciativa e longa experiência.
Há profissões em famílias que formam dinastias. E a de Albertino Pereira da Silva é realmente de tradição familiar. O seu pai, António Pereira, da região de Resende, já era um afamado decorador e ornamentador de Festas e Romarias a quem crismaram de “Maquininhas”, cujo pitoresco nome proveio dos vistosos balões que ele fabricava e fazia subir ao ar.
O filho, cuja vocação lhe refervia no sangue e ocupava a imaginação na ânsia de fazer melhor na sequência de arrojadas e modernas inovações e concepções artísticas, seguiu as pisadas do pai, estabelecendo-se mais tarde por conta própria. Ainda rapaz novo, a primeira vez que concorreu a um certame artístico de envergadura e de certa responsabilidade, indo competir com um seu concorrente já bastante experimentado, foi nas Festas de Nossa Senhora do Socorro da Régua, ganhando a medalha que a respectiva Comissão tinha instituído para o efeito.
Tendo-se estabelecido no lugar de Faria de Cima, freguesia de Cucujães, concelho de Oliveira de Azeméis, com a firma Electro-Arte-Decorativa, o seu nome ficou a ser conhecido de Norte a Sul do País pelos seus trabalhos em Festas, Romarias e outros acontecimentos de carácter festivo, distinguindo-se as suas decorações pela ARTE, bom gosto e estilo modernista que lhe imprimia.
Evidentemente que a experiência, a técnica, a seu espírito idealizador e a sua vontade de brilhar e firmar o seu nome no mundo da decoração e ornamentação artística foram ganhando volume de forma a projectá-lo na linha de dimensão de um dos mais reputados e disputados artistas portugueses do género.
Os trabalhos de que tomou a responsabilidade desde as Festas de Nossa Senhora da Agonia em Viana do Castelo, às ruas do Porto e Lisboa pelo Natal. E este ano a importante Feira Popular, da Colónia Balnear Infantil do jornal “O Século”, além de várias Medalhas e Diplomas que tem ganho noutras decorações artísticas, são prova suficiente do seu temperamento de artista, da sua metódica organização e da sua indesmentível honestidade.

Além do seu fino gosto nas iluminações com milhares de lâmpadas e combinações de cores, Albertino Pereira da Silva, idealiza projectos para efeitos diversos e nocturnos, faz pinturas em todos os estilos, tanto manuais como à pistola, e concebe cenários e carros alegóricos para todos os cortejos.
Já de há muito sabíamos das dinâmicas qualidades de trabalho e da classe deste artista, mas este ano confirmamo-las quando tivemos o feliz ensejo de ir à Feira Popular de “O Século” ver as surpreendentes ornamentações e feéricas iluminações feitas sob a sua inspiração e orientação, as quais foram muito apreciadas pelos milhares de visitantes deste tradicional recinto de diversões.”

publicado em: PORTUGAL D’AQUEM E D’ALÉM MAR

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