29.8.10

Início das emissões experimentais da RTP no recinto da Feira Popular de Lisboa, em Palhavã.






1956 - 4 de Setembro - 21:30

Feira Popular - a génese
Anunciada nos jornais e recebida com grande excitação, a notícia das emissões experimentais na Feira Popular para a televisão em Portugal despertaram em todos a curiosidade, fazendo aí acorrer centenas de pessoas, que não queriam perder a aurora da televisão no nosso país.


No ar!
Artur Ramos comandou as operações, quando apenas duas câmaras em estúdio estavam disponíveis, e ainda apenas emprestadas. Um pequeno emissor de fraca potência fazia a emissão do sinal. Mas era na Feira que tudo se centrava. A imprensa visitou as instalações onde a magia ia começar e, mais tarde, pelas 21 horas e 30 minutos, depois da primeira mira técnica, Raúl Feio apresentava o programa da noite.


Portugueses - expectativa e espanto
Apinhada, a Feira Popular nunca pareceu tão pequena para tanta gente. As pessoas aglomeravam-se, comentava-se o que se iria ver e como tudo iria ser, e não demorou muito. Imediatamente após o sinal no ar, o espanto e a emoção após as primeiras imagens em directo que se podiam ver pelos cerca de 20 aparelhos espalhados pela Feira fizeram vibrar todas as pessoas que assistiam ao nascimento da TV em Portugal. Mas para além de poderem ver, todos podiam contribuir com as suas opiniões sobre a experiência que foram as "demonstrações de televisão", na Feira Popular de Lisboa, bastando para isso preencher e entregar os impressos que estavam disponíveis no local.


O Programa Segue Dentro de Momentos
Os primeiros "cartões" que avisavam das inevitáveis falhas técnicas que uma emissão experimental e pioneira abarcava não espantavam ninguém. Afinal, tudo aquilo estava a acontecer ali mesmo, em directo e ao vivo, e era perfeitamente natural que tal acontecesse. Hoje não é tanto assim.


A Estrutura
Toda a operação decorria num pequeno edifício pré-fabricado. De um lado, emissor, telecinemas, controlos de estúdio e emissão; do outro, camarins para artistas, sala de caracterização e um escritório; ao centro, no cerne principal de edifício, o estúdio.


O Espectáculo
Música, exibições de ciclismo por Alves Barbosa, espectáculos de magia, pequenos documentários, etc., tudo fez parte de uma experiência inesquecível, e que serviu para por em prática a curta experiência adquirida até então e testar o que até aí não passara de teoria. Nervos à flor da pele não faltaram, mas a cada novo dia a satisfação aumentava, e no final, o orgulho pelo trabalho pioneiro cumprido com profissionalismo e sucesso. Apesar de todas as dificuldades, a televisão estava no bom caminho para avançar e, de facto, não iria faltar muito...


A Equipa
Desde Artur Ramos, ao comando das operações a Henrique Formozinho Sanches e José Joaquim Gomes nas câmaras, passando pelo primeiro sorriso da televisão de Maria Armanda Falcão, até Raúl Feio, Lança Moreira, Barradas de Oliveira, Aquilino Mendes, Amadeu José de Freitas, Jorge Alves, Ruy Ferrão, Rogério Paulo, Sara Vale, ou mesmo Raúl Solnado, muitos foram os nomes e impossível é nomeá-los aqui a todos. Mas só uma equipa com o empenho de um projecto novo e inovador em Portugal poderia ter feito resultar tão bem estas "demonstrações de televisão" na Feira Popular.
...A partir daqui o processo era irreversível!
A televisão em Portugal não era mais um sonho - era um facto.

Publicado em: http://www.rtp.pt/web/historiartp/1950/feira_popular.htm

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